Cito uma frase da música Tempo de Sam the Kid: “Lá em baixo há quem não tenha o que vestir nem o que comer, E eu fodido da vida porque a minha equipa acaba de perder”. Ao ouvir esta frase penso em como realmente fazemos de coisas fúteis e sem nenhuma importância, um problema enorme capaz de nos deixar abalados e chateados, como se de uma catástrofe se tratasse. O exemplo aqui descrito é o futebol em comparação com um sem-abrigo, mas a mensagem por detrás deste exemplo vai muito mais além. Por detrás deste exemplo temos problemas, ou algo que nós julgamos serem grandes problemas, que críamos e que no fundo não são nada quando comparados com os reais problemas vividos por alguns. Passamos a vida a queixar-mo-nos de que a vida nos corre mal, de que não temos o que queremos o que ambicionamos, mas esquece-mo-nos de olhar para o que temos e que é por vezes algo de maravilhoso e de enorme, e enquanto nós, que no fundo temos tudo, mesmo pensando que não temos nada, nos queixamos, à quem apenas peça um prato de sopa, uma manta e, mais importante que tudo, um sinal de carinho, sim apenas um sinal de carinho. E isto leva-nos a reflectir noutra questão: materialismo vs felicidade. Afinal de que nos vale termos tudo o que queremos materialmente se não tivermos amor, amizade, pessoas que gostem de nós? Porque damos mais valor ao telemóvel que temos, ao carro, à casa do que a quem gosta de nós? Afinal o que nos faz viver? Os materialismos ou os sentimentos? O mundo de hoje vive com as prioridades trocadas. Reina a busca pela riqueza, pelo poder, quando afinal um simples abraço de um amigo, um beijo de alguém que nos ama e que nós amamos são a maior riqueza de todas. Afinal é a necessidade que temos de amor que nos distingue de todo o resto. Para que queremos nós ter o Mundo se não tivermos quem nos ame?